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Eleições 2026: Plataforma da CUT pode fortalecer o debate e a formação na base

Documento reúne prioridades da classe trabalhadora para 2026 e pode ser usado como ferramenta de formação. Confira dicas práticas para debater as propostas, aproximá-las da realidade das categorias e fortalecer

Publicado: 14 Agosto, 2026 - 14h29

Escrito por: Escola Sul da CUT

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A Plataforma da CUT para as Eleições 2026 reúne propostas e prioridades da classe trabalhadora para o debate eleitoral e pode também ser utilizada como instrumento de formação, diálogo com as bases e mobilização sindical.

Lançado pela CUT em agosto, o documento aborda temas diretamente relacionados ao cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras, como redução da jornada sem redução salarial, fim da escala 6x1, valorização dos salários e aposentadorias, direitos de trabalhadores de aplicativos, negociação coletiva, serviço público, novas tecnologias, justiça tributária e enfrentamento às desigualdades.

Para sindicatos, Secretarias de Formação e Redes de Formadores e Formadoras, a Plataforma oferece uma oportunidade de aproximar o debate eleitoral das questões vividas nos locais de trabalho e nos territórios.

Como usar a Plataforma em uma atividade de formação?
A Escola Sindical Sul apresenta algumas sugestões práticas para trabalhar o documento com dirigentes, delegados sindicais e trabalhadores e trabalhadoras da base.

1. Comece pela realidade dos participantes
Antes de apresentar a Plataforma, faça uma pergunta ao grupo:

Quais são hoje os principais problemas enfrentados pela classe trabalhadora?

As respostas podem ser registradas em tarjetas ou em um painel. Jornada, salário, custo de vida, saúde, previdência, emprego, informalidade, violência, transporte e condições de trabalho provavelmente aparecerão.

Depois, apresente a Plataforma e identifique quais propostas dialogam com os problemas levantados pelo próprio grupo.

Tempo sugerido: 20 minutos.

2. Divida as propostas entre pequenos grupos
Organize os participantes em grupos e distribua temas ou partes da Plataforma.

Cada grupo pode responder quatro perguntas:

Qual problema essa proposta procura enfrentar?

Como esse problema aparece na nossa categoria ou território?

Quem ganha e quem perde com a situação atual?

O que o sindicato pode fazer para mobilizar os trabalhadores sobre essa pauta?

Na socialização, registre os pontos comuns entre os grupos.

Tempo sugerido: 40 a 60 minutos.

3. Relacione a Plataforma com a pauta do sindicato
Leve para a atividade o ACT, a CCT, a pauta da campanha salarial ou outro instrumento de negociação da categoria.

Peça aos participantes que comparem os documentos:

Quais propostas da Plataforma já aparecem em nossa pauta? Quais ainda não aparecem?

O exercício ajuda a mostrar a relação entre negociação coletiva, legislação, políticas públicas e ação sindical.

É possível organizar o resultado em três colunas:

Já negociamos | Precisamos incluir | Depende de política pública ou legislação

4. Escolha três prioridades para a categoria
Depois do debate, proponha que cada grupo escolha três propostas da Plataforma consideradas prioritárias para sua base.

Para cada uma, o grupo deve justificar:

Por que essa pauta é importante? Como ela afeta os trabalhadores? O que podemos fazer para debatê-la na base?

A atividade evita que a Plataforma seja trabalhada apenas como uma lista extensa de propostas e ajuda o coletivo a definir prioridades.

5. Trabalhe os públicos prioritários
Outra possibilidade é analisar a Plataforma a partir das pautas de mulheres, juventude, população negra, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.

Divida os participantes por tema e solicite que identifiquem:

quais propostas dialogam com aquele público;

quais problemas aparecem na realidade da categoria;

quais dessas pautas já são negociadas pelo sindicato;

quais precisam ganhar maior espaço na ação sindical.

A discussão pode terminar com uma pergunta:

O que nosso sindicato pode fazer para ampliar a participação e a representação desses trabalhadores e trabalhadoras?

6. Use a Plataforma para uma análise de conjuntura
A Plataforma também pode ser relacionada aos conceitos trabalhados nas atividades de análise de conjuntura.

Escolha uma proposta e peça ao grupo para identificar:

Acontecimento: o que está ocorrendo?

Cenário: onde essa disputa acontece?

Atores: quem participa?

Relações de força: quem tem maior capacidade de decisão ou pressão?

Estrutura: quais questões econômicas, sociais e políticas estão por trás do problema?

Assim, a Plataforma passa a ser um ponto de partida para compreender as disputas que envolvem cada direito.

7. Transforme o debate em ação sindical
A atividade formativa deve terminar com algum encaminhamento concreto.

Cada grupo pode responder:

O que faremos com esse debate depois da formação?

Entre as possibilidades estão:

realizar uma roda de conversa na base;

produzir cards ou vídeos para as redes sociais;

abordar o tema em assembleias;

organizar uma plenária;

incorporar propostas à pauta sindical;

dialogar com trabalhadores não sindicalizados;

promover debates com candidaturas;

acompanhar compromissos assumidos durante o processo eleitoral.

É importante definir ação, responsáveis e prazo.


O importante é que a atividade não fique restrita à leitura do documento. A proposta é partir da experiência dos trabalhadores, problematizar a realidade, conhecer as propostas e discutir possibilidades de ação coletiva.

A Plataforma para as Eleições 2026 pode contribuir para aproximar temas nacionais do cotidiano das categorias e dos territórios. Ao ser utilizada em processos de formação, ela permite discutir que projeto de país interessa à classe trabalhadora e quais direitos precisam estar no centro da disputa política.

Para a Escola Sindical Sul da CUT, transformar documentos políticos em instrumentos de diálogo e formação também significa fortalecer a capacidade dos sindicatos de conversar com suas bases, analisar a conjuntura e organizar a ação coletiva.

A dica é simples: Relacione suas propostas com a vida concreta dos trabalhadores e termine cada atividade com um compromisso de ação.